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Who is afraid of...? | Exposição de Victor Pires Vieira

Who is afraid of...? | Exposição de Victor Pires Vieira

When | 5TH of March 2015 to 29TH of March 2015

Where | Inauguração a 4 de março, às 19h00 | Sala do Veado

 


Convite inauguração 

Press release 

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“Who is afraid of...?'  é uma série de 27 pinturas realizada no ano de 2013/14, das quais 8 a óleo sobre tela , algumas de grande formato e 19 a óleo sobre papel.

No que se refere às pinturas sobre suporte papel, a série foi parcialmente apresentada na Fundação Carmona e Costa em Junho de 2014, no âmbito da exposição antológica em parceria com o MNAC – Museu do Chiado. A totalidade da série será agora apresentada ao público pela primeira vez.

Esta série convoca, na citação do seu título, as obras de Barnett Newman, artista que integrou uma das últimas vanguardas do Séc.XX, a do expressionismo americano dos anos 60, e que realizou naquela década uma série de pinturas de grande formato, onde extensos campos de côr pura eram cortados por verticais (zips) de cores escuras e contrastantes, às quais chamou “Who's Afraid of Red, Yellow and Blue (I,II,III e IV)”, iniciadas em 1969 e terminadas na primavera de 1970.

As pinturas de Pires Vieira são, simultaneamente, a junção de vários olhares e práticas artísticas da história da pintura do século passado, evocando um referente narrativo nas paisagens de Monet ou nas naturezas-mortas de Van Gogh, com uma praxis do expressionismo alemão, à Kirchner e à Nolde, pelo uso matérico, ágil e rápido da pigmentação da superfície e para terminar, com um jogo pictórico da utilização de sucessivos planos frontais, nos quais se inscrevem os elementos alfabéticos e as formas geométricas quadrangulares, característica da pintura do expressionismo abstracto americano.

“É curioso verificar que esta produção recente tem privilegiado o papel como suporte, e a tinta a óleo como matéria de expressão, uma conjugação menos usual, mas que responde aos requisitos do artista para a produção em série. Uma tinta de elevada plasticidade e um suporte suficientemente resistente, de disponibilidade imediata, permitem dar sequência rápida à fluidez das ideias, das indagações a explorar. O formato adoptado é rectangular, de dimensão considerável (a grande maioria de 70 x 100 cm). (...)

A ousadia crítica e a pertinência das variações radicalizam-se na última série produzida. Ressurge a palavra inscrita em cima da pintura, a fim de reproduzir o título criado por Barnett Newman, entre 1966 e 1970, para uma série de quatro pinturas de grande escala. Who's Afraid of Red, Yellow and Blue? (Quem tem medo do Vermelho, Amarelo e Azul?) , que era o título da série de Barnett Newman, é por sua vez uma referência à peça “Quem Tem Medo de Virginia Woolf?”, de Edward Albee , que estreara em 1962, igualmente inspirada na canção “Quem Tem Medo do Lobo Mau ?”, imortalizada, em 1933, pelo desenho animado de Walt Disney. Pires Vieira decide, então, criar variações na adopção do título de Barnett Newman, segmentando a pergunta formulada. Diversos conjuntos de quatro pinturas confrontam o observador com uma multiplicidade de perguntas: “Who is afraid of yellow?”, “Who is afraid of yellow and green?”, “Who is afraid of red and blue?” “Who is afraid of green and blue?”, etc . Cada conjunto tem a tonalidade dominante da cor colocada em questão, mas, mais uma vez, surgem quadrados monocromáticos de diferentes cores e tamanhos que viajam soltos por cima da pintura, interditando a leitura completa das palavras. A evocação da simplicidade das cores primárias, que pautaram o princípio da obra do artista, contrasta assim com a cacofonia de cores e formas destas pinturas.

Destas séries deriva um trabalho exaustivo de variações, obsessivo no processo de criação, que resulta numa profusão de abordagens e propostas. Retomando Rancière, “ao celebrar uma pintura nova, projecta-a num porvir ‘abstracto’ da pintura que ainda não existe”. Pires Vieira continua a desenvolver um trabalho de serialização, o diálogo entre processos para afirmação da pintura e a pesquisa de novos caminhos de libertação, ao mesmo tempo que explora a diferenciação como elemento valorativo da obra de arte, sem medo de acrescentar novas questões às questões que vai resolvendo ou acumulando em permanente dialética.”

Adelaide Ginga

 

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