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GABINETE DA POLITÉCNICA O Importantário Estetoscópio

A exposição GABINETE DA POLITÉCNICA O Importantário Estetoscópio, é o resultado de uma expedição dirigida pelo artista Pedro Portugal aos arquivos, colecções, caves, sótãos, reservas, bibliotecas e arrecadações dos antigos Colégio dos Nobres e Escola Politécnica de Lisboa, hoje Museu de Ciência e Museu Nacional de História Natural da Universidade de Lisboa.

Importantario

A experiência consiste em obrigar os objectos naturais e não naturais das colecções a um diferente procedimento taxonómico e a resultados essencialmente visuais, com o objectivo de condicionar toda a história a ser contemporânea da forma como a arte contemporânea o faz.

Os ossos, instrumentos, fósseis, plantas, animais naturalizados, fotografias e livros apresentados no GABINETE DA POLITÉCNICA estão arrumados acientificamente. Todos os objectos são submetidos à indução artificial da abstracção, em que o seu significado é desvitalizado. Imagina-se que assim possam ser aceites como pertencendo a uma nova ordem do conhecimento, como evidenciando outra eficácia e utilidade.

No texto para o catálogo, Pedro Proença refere: «Num dos grandes livros de "teoria de arte" do século passado, The Shape of Time, George Kubler sugeriu uma abordagem às sequências formais de criação de objectos/arte como uma espécie de vida, com os seus ciclos de emergência e decadência – ideia que recolheu em boa parte noutro historiador, Henri Focillon. As formas vivas são aparentemente mais estáveis, mas as metamorfoses e os estados de saturação da pequena e da grande vida também sofrem desvios estilísticos. Por outro lado, a partir do momento em que o ready-made duchampiano é vulgarizado, no sentido de tornar os vedores participantes criativos, a visão das coisas impregnase de um campo de "projecções artísticas". Isto é, cada vez mais vemos tudo como susceptível de ser "arte". Isso acontece sempre que certas coisas são encenadas e reconhecidas como arte, por mais banal ou circunstanciais que o sejam. Há um suplemento "poético" e "artístico", etc. Os museus são instrumentos do desejo de ampliar e mapear a possibilidade de mais auto-biografia, numa espécie de co-autobiografia. Os museus nasceram quer do impulso caprichoso de certos coleccionadores quererem capturar certos estados de excepção, quer dos esforços de forjar (ou falsificar) memórias para comunidades. É neste sentido que o GABINETE DA POLITÉCNICA deve ser entendido. É a constatação do allreadymade que é a artephysis, ou seja, da inseparabilidade entre processos da arte e os processos da natureza».

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